Sábado, Julho 11, 2009

Aniversário do blog, ano III: só consegui arranjar a vela

A vela é pequena, por isso não deixem a chama apagar!

Caramba, esqueci completamente do aniversário do meu blog -hoje! perdi a noção do tempo, ao cair em sono profundo esta tarde, para aliviar minhas tensões no melhor lugar para uma fuga da realidade - o açucarado, calórico e aconchegante mundo dos sonhos. Estava tão bom que por pouco não fiz xixi na cama, mhuahaha.

E o Mandra Brasa, hein? está durando mais do que eu poderia ter previsto para um blog doméstico de cunho apelativo-emocional. Álibi para minhas meias verdades, sem nenhum valor curricular mas com forte influência sociológica na vida de pelo menos 15 seguidores. Em três anos, foram 610 textos, 114,7 mil visitantes únicos e apenas quatro inimizades declaradas (incluindo uma familiar, de primeiro grau).

É, tenho boas razões para comemorar este aniversário, mas diante das atuais circunstâncias, sem bolo, festinha ou lançamento literário. Garanti somente a vela - e ainda assim, não é das melhores. Se eu fosse um amigo da onça, pegaria carona na festa de casamento do meu estimado colega de profissão inglória cujo diploma nada vale, Nilton Lemos, logo mais à noite. Irei ao enlace somente pela consideração aos noivos, sem quaisquer segundas intenções alcoólicas.

:: Aos 15 seguidores, muitíssimo obrigado pela audiência de qualidade. Aos demais 140 leitores que não se declaram, nem opinam e nem nada - mas sempre voltam! - é uma satisfação entretê-los. ;)

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Café com leite e umas gotinhas de uísque, por favor


Pois é, recebi finalmente um apoio imaterial para me consolar pela falta de crédito na praça. Uma leitora assídua me mandou um lindo SPAM de cunho religioso-esperançoso-de-fé, para que eu ore até que meus problemas desapareçam pelos ares, numa aura de luz, fruto da bondade divina. Mhuahaha.


Brincadeirinha, querida leitora e Senhor Jesus... Na verdade, adorei a mensagem de otimismo que compara cenouras, ovos de galinha e pó de café. Quando submetidas à mesma água quente da fervura ultravioleta, as rígidas (uêpa!) e inflexíveis cenouras amocelem, os frágeis ovos endurecem e a "borra do café, Salim!" transforma a água quente em algo saboroso, aromático, "honestamente café, Gianecchini!".

Sei que pelo menos 90% dos leitores deste humilde blog entenderão a metáfora, mas é o meu dever explicar a história para os outros 10%, pobres crianças: água quente = adversidades da vida severina, as pedras do caminho, os problemas quase insolúveis que nos perseguem (mhuahaha); cenouras = pessoas inflexíveis, cabeças duras, bastiões da verdade e sem coração; café = ser humano especial nutrido de coragem, ousadia, perseverança, com sabor e aroma inigualáveis, e coloração preta.

E assim, com minha cara de capuccino, sem hífem, sem grana e sem inspiração para escrever, só posso dizer que eu já tomei umas decisões importantes que me desonerarão no segundo semestre, adiando um pouco alguns planos... (suspense)...

Sacrifícios serão feitos, pessoas serão desamparadas (mhuahaha), cursos serão interrompidos, coisas serão vendidas, mas nenhum parente precisará passar pelo constrangimento de levar uma (outra) facada financeira. Só lamento porque sou formiga e não cigarra, pois o bairrismo poderia me favorecer nessa história.

Quarta-feira, Julho 08, 2009

Popularidade em baixa, esperança em cima


Tudo bem, eu confesso. Chequei meu extrato bancário onze vezes na vã ilusão de ver um reles depósito, fruto do meu apelo desesperado no texto anterior. Mhuahahahaha. Lamentável a constatação de que os leitores deste humilde blog são ainda mais humildes do que este blogueiro que vos escreve. Tudo bem, vou pagar uma taxa adicional por ter ultrapassado o limite gratuito de consultas no banco, mas o que importa é o amor, afinal, quando a gente ama não pensa em dinheiro e só quer amar, só quer amar, só quer amar.


E assim, ontem aprendi mais uma importante lição - com impagável ajuda dos universitários da "Faculdade da Vida", nesse caso, frequentadores do boteco paupérrimo vizinho ao meu mecânico, no bairro dos Coelhos.

Lá estava eu, exercitando meu hobby favorito de observador social, dividindo uma mesa com um pedreiro ou pintor (não tenho certeza sobre a matéria-prima dos respingos no macacão do camarada) e cercado por pelo menos outros 20 trabalhadores, a saborear um delicioso PF (prato feito). A minha fidelização de cinco anos ao mesmo mecânico coincide com o tempo de freguesia no estabelecimento gastronômico-pop, por isso já sou reconhecido pelo dono do boteco - que me chama de "alemão" e sempre pede à cozinheira para caprichar meu prato.

Assistíamos todos ao Globo Esporte, numa pequena TV de 14 polegadas posicionada no alto da parede principal, quando subitamente a reportagem futebolística foi cortada pelos acordes de "Beat It", para dar lugar à cobertura do velório de Michael. Eu, fã declarado, fiquei surpreso com a chiadeira (reclamação, em pernambuquês) dos frequentadores do boteco. Indignados, todos bradavam contra o rei do pop, "que já devia estar fedendo, morto há doze dias". Resolvi intervir, exercitando o meu segundo hobby predileto, a persuasão: "eu boto fé que as loucuras de Michael Jackson tiveram origem na brutalidade do pai, tá ligado, doido?!". Pois é, se em Roma façamos como os romanos; nos Coelhos, falemos como "malas" (pessoas à margem da sociedade, em pernambuquês) .

Pronto, bastou a declaração do "alemão instruído" para que todos do boteco voltassem suas metralhadoras contra o patriarca da família Jackson. "Aquilo é um mizerávi! chegou mais cedo para vender os ingressos do velório!" e "achei foi pouco ele ter sido excluído do testamento" foram algumas pérolas que saíram no debate do boteco. Em meio à indignação coletiva, soltei mais uma: "Eu acho que o coitado estava mais para PeterPan do que para pedófilo. Ele era uma criança perturbada!".

Novamente o povo engoliu a corda e esculhambou o velho com cara de bulldog, praticamente inocentando Michael Jackson de todas as suas excentricidades. Até o pedreiro (ou pintor) que argumentara minutos antes que Michael "demorou mais para ser enterrado do que o Papa João Paulo II" concordou que o patriarca lapidou o talento do filho na base da surra, roubando-lhe a infância.

Bem, a tal lição que aprendi foi a de que o dinheiro importa menos que a nossa saúde. A não ser que o vil metal pague o tratamento. Okay, vou tentar não morrer de infarto e arranjar outra válvula de escape para aliviar meu estresse financeiro, pois a comida já me engordou cinco quilos e encheu minhas artérias de gordura, além de imprimir em minha cara a tez rosada da prosperidade, que vai de encontro à verdadeira verdade do meu saldo bancário.

Estou pensando em acatar o convite para pescar feito por meu amigo jornalista Paulo Brokeback Mountain. Além de não dispor de equipamentos, tenho um pouco de nojo da isca viva, mas ele me disse que tinha uma vara para me emprestar e que manusear uma minhoca é apenas "uma questão de costume". Bem, a esposa dele convenceu a minha de que a pescaria faz com que o marido volte "calminho, calminho" para casa. Mhuahahahaha.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

A conta da universidade

Imagem gentilmente furtada do blog http://tempoquepassa.blogspot.com

Todo aluno, seja ele cristão ou profano, sabe que as mensalidades da Universidade Capitalista Graças a Deus chegam bem próximas do paraíso - nesse caso, o céu. Ao optar por voltar às carteiras da educação depois de uma bem-sucedida carreira de jornalista (RÁ!), alimentei a doce esperança de que o Direito me dê mais do que um jantar de graça, caso eu consiga chegar lá no fim do caminho.

No campo das idéias, eu imaginava que penetrar no mundo jurídico seria fácil para um jornalista, afinal, nosso nível de compreensão iguala-se, no mínimo, ao de um bom chef de cozinha com diploma de Sorbonne. A prática revelou o que qualquer ministro do STF já está careca de saber: faltava um pouco mais de cultura para cuspir nessa escultura.

No meu caso específico, como um autêntico filho da pauta pisando no território da Justiça, logo depois da aula inicial a minha primeira impressão sobre o novo curso foi irretocável: "Direito não é jornalismo". Parece uma bobagem óbvia, mas as diferenças começam já pela forma de se expressar, pois o jornalismo ensina-nos a enxugar o texto - descomplicar , sintetizar, esclarecer, torná-lo inteligível. No Direito, parece piada mas precisamos seguir o sentido contrário - defender um longo argumento, recheá-lo com o floreamento acadêmico, abusar da redundância, usar palavras difíceis e sempre que possível citar Kant (que não é o Clark) e Foucault.

Meu primeiro obstáculo para cursar Direito foi o subconsciente, que me brindou com sucessivas noites a reprisar um pesadelo recorrente onde eu aparecia diante de alguns professores carrascos da época do curso de jornalismo, que exigiam boas notas outra vez. Detalhe: completamente nu, pelado, sem roupa - sendo obrigado a explicar que já colecionava doze anos de profissão, por isso não poderia estar ali. É Freud, eu sei.

Passada a fase de "aceitação de um novo curso" por parte da minha linda e saudável cabeça, vieram outros empecilhos menos psicológicos, como a incompatibilidade de horários com as minhas vidas profissional, marital e paternal, tudo ao mesmo tempo agora. Ainda assim, prossegui, maleando meus leves atrasos com muita vontade de aprender - mas no fundo, no fundo, querendo "fazer valer" o dinheiro das mensalidades que eu havia empregado até ali. Ah, nesse ponto há um quase mérito da Universidade Capitalista Graças a Deus, que aplica juros sem fins lucrativos, elevando em menos de uma dezena de reais o valor de uma parcela vencida cinco meses atrás. Assim, eu costumava pagar minhas semestralidades com a ajuda integral do extra das férias somado à restituição do IR, sem esquecer do salvatore 13º salário.

Dessa vez, não deu pra pagar. Por não ter feito um curso anterior mais "técnico", como contabilidade ou engenharia, acabei priorizando meus créditos em outras prioridades que eu considerava mais prioritárias a priori. Todas lícitas, claro. Ainda imprimi 5 cópias do meu histórico escolar cuja média geral é 7,3 para anexá-las a cada parcela em atraso e dar uma facada metaforico-monetária nos meus queridos parentes tecnicamente endinheirados: Tia Louca, Tio Hipocondríaco, Tio Executivo/Fazendeiro e Tia Dentista.

Mas me arrependi por antecipação. Cada um já tem suas cruzes pesadas para carregar. Na pior das hipóteses, trancarei o próximo semestre "até conseguir me aprumar". Na melhor, algum leitor-milionário-excêntrico fará um gordo depósito na conta 7763-1 do Banco do Brasil (agência 0697-1). Brigadú!

:: Pelas minhas contas, se eu tivesse ganho o concurso para Rei Momo, os R$ 8 mil da premiação estariam saindo agora em julho. É $#&@§!!!

Quarta-feira, Julho 01, 2009

O alívio de tirar um grande peso das costas


Homofobias à parte, vou logo adiantando que não é esse tipo de "peso" que tirei das costas, mhuahahaha - tampouco me refiro à ausência da minha cara-metade (que é uma linda fofinha cujo coração pesa quase uma tonelada, alimentado com meu amor) na nossa cama de casal, por ocasião de uma viagem de negócios dela que teve início ontem e durará longuíssimos três dias. A razão do meu alívio lombar, prezados leitores, é de inteira responsabilidade da Universidade Capitalista Graças a Deus. Pois é, venci mais uma etapa do curso de Direito e agora estou apto a me matricular no 4º período (de dez semestres, vale salientar).


Ainda é grande e tortuosa a minha jornada acadêmica até conseguir vestir uma toga tamanho GG e dar o famoso calote gastronômico em algum restaurante chique da cidade - que caracteriza a mais contraventora tradição cultural dos recém-formados bacharéis das Ciências Sociais, muhahaha. Porém, embora distante, meu sonho acadêmico de consumo de bens materiais está sendo concretizado com muito esforço, suor e (falta de) dinheiro.

"Melhor do que ser um filho da pauta", diria, com certeza, o jornalista não-diplomado que faz as vezes de zelador lá no meu prédio. De fato, o orgulho de conseguir terminar uma graduação sem que venha o STF para rasgar o canudo e igualá-lo a um cozinheiro analfabeto cheio de talento já recompensa o cristão que desembolsou 40 mil dinheiros para concluir um curso superior numa entidade filantrópica sem fins lucrativos e de boas intenções.

Como bem me desinformou uma grande revista de âmbito nacional, no caso específico do diploma dos jornalistas, o que estava em jogo era a liberdade de expressão - um direito Constitucional de todos os brasileiros, sobretudo os apadrinhados com colunas de opinião na própria revista. Enquanto peno para avançar em direção ao sonhado calote do restaurante, todos os dias eu me pergunto se terei direito à prisão especial, agora que sou um ex-diplomado. Na dúvida, é melhor não burlar a lei.