Quando o politicamente correto é levado muito a sério
Não percam, é neste domingo!!!(Clique na imagem para ampliar )
Não sei exatamente quando começou o exagero, mas imagino que seja recente, neste novo milênio, como reflexo natural da era de Acquarioooows. Tal qual a água mole em pedra dura, o bordão "Boa noite a todos e a todas" acabou virando referência de saudação aqui em Pernambuco, contrariando a velha norma da língua portuguesa que determinava manter o plural apenas com o gênero masculino (desde que houvesse pelo menos um homem na platéia, claro).
Eu suspeito que isso tenha sido invenção de algum "companheiro" de qualquer pelegada sindicalista chegada num socialismo radical, mas não tenho nenhum fundamento científico para provar essa teoria, a não ser meu preconceito de elite acadêmica aliado à experiência como telespectador de comédias, pois vejo muita semelhança com a sátira ao "direito de ter direitos" exercida pelo grupo inglês Monty Python encarnando a Frente Judaica do Povo em "A Vida de Brian".
Não questiono a legitimidade de uma saudação unissex, afinal, as mulheres foram oprimidas por muito tempo até conseguirem a tão sonhada igualdade. Mas temo que os defensores das minorias (?) estejam entrando numa paranóia políticamente correta. Já presenciei colunista de jornal recebendo críticas por ter publicado a expressão "nuvens negras pairam sobre blábláblá..." porque, segundo os ofendidos, a negritude nesse caso estaria sendo estigmatizada como uma coisa ruim. Pois é, temos sempre que lembrar que as chuvas são boas porque alimentam nossas lavouras.
A instituição onde trabalho tem como patrono um grande abolicionista e reformador social brasileiro, por isso nada mais natural do que defender com unhas e dentes as liberdades individuais e coletivas. Já tivemos seminários sobre raça, gênero e diversidade. Tudo dentro dos conformes. Mas a instituição possui também "um museu de grandes novidades", parafraseando o poeta Cazuza. Totalmente repaginado, com uma exposição fixa que conta praticamente a história do Brasil utilizando elementos da museologia convencional, mas também explorando a modernidade hi-tech com recursos multimídia. Como exemplo, cito a ala de matriz africana, onde escutam-se sons de tambores.
Na manhã de hoje recebi um comunicado urgente do pessoal do museu. Aliás, a demanda parecia tão importante que veio da diretoria de acervo, à qual o museu está vinculado, e endereçada nominalmente ao meu chefe para providências imediatas: "De Ordem da diretoria, solicitamos divulgar o flyer em anexo". Examinei o material (o e-mail veio com cópia para mim, mas reportando-se a ele) e tratava-se de um novo modelo, em substituição ao anterior que eu havia publicado ontem. Procurei a diferença e notei que abaixo do cartaz original resolveram colocar uma ilustração traduzindo a peça gráfica para a linguagem de libras. Realmente uma inovação de louvável preocupação com nosso estimado público com deficiência auditiva. Mas como o cartaz anterior estava em bom português, super explicadinho, presumi que a tradução para libras fosse voltada para os surdos analfabetos. Telefonei para os colegas do museu, expliquei meu ponto de vista e derrubei a pauta.
Para não inutilizar por completo a tradução sem sentido, optei por imortalizá-la aqui no blog. E espero que a barra não pese pro meu lado, porque eu sou gordo mas sou sensível e não admito trocadilhos infames que realcem meu sobrepeso. Mhuahahaha.



2 comentários:
eai nego véi, kd tu na faculdade??
abraço do mano bob campos
Às vezes tem exagero, sim, Mandra. Mas se vc perguntar ao pessoal da Fenneis (FEderação Nacinoal dos Surdos), eles vão te dizer que existe uma quantidade absurda de surdos no Brasil que não são alfabetizados em português (por uma série de motivos q vc deve imaginar) e que realmente só compreendem a linguagem em libras.
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