Finalmente tirei a tala do braço
Que este blog há muito deixou de ser atualizado diariamente vocês já estão carecas de saber. Todavia, o espaçamento temporal desde o último post dessa vez teve uma dolorosa razão de ser: contundi minha mão direita, em peripécia carnavalesca na Ladeira da Sé, em Olinda, quando tentava um ato heróico no bloco "Enquanto Isso na Sala da Justiça", naquele fatídico domingo, 06 de março.
Enverguei pelo terceiro carnaval seguido o traje de lutador mexicano para compor o sub-bloco do "Mucha Lucha", em companhia de colegas jornalistas e simpatizantes que preenchem o único requisito indispensável da confraria: a barriguinha saliente. E assim, sob as leggings das nossas esposas/namoradas/mães, entramos no ringue com toda a nossa sede de brutalidade.
Este ano resolvi inovar na indumentária, com medo da exposição pública ao ridículo na saída do prédio onde infelizmente continuo síndico. Cobrindo a sensual malha de lycra que ressaltava toda a sinuosidade do meu leiaute estava o meu salvador "robe do papai" com estampa de pijama. Mas, para quem não sabia o verdadeiro motivo (evitar testemunhas na portaria do edifício), o robe deu até um toque de mestre à fantasia de lutador.
Lamentavelmente o cinturão "World Championship Wrestling 2010" não coube na minha cintura este ano e acabou deslocado para o peitoral, transformando-se num escudo "maneiro", segundo as dezenas de foliãs que me pediram para tirar fotos. Torço com fé para que esse escudo volte para a cintura em 2012, em vez de subir ainda mais para compor um colar de campeão, no meu pescoço.
Particularmente não curti muito o Mucha Lucha deste ano porque cheguei muito tarde na concentração do bloco e só tive oportunidade de lutar uma vez, numa competição improvisada de sumô com uma tartaruga ninja de sobrepeso acentuado como o meu. Como de praxe, minha cara-metade convenceu meus meninos a assistir as lutas do papai, inviabilizando a minha alforria momentânea do lar para a dedicação exclusiva à violência no ringue. Com a presença da família, além do fator timidez sempre sou acometido daquele natural sentimento de proteção, por conhecer o sufoco que é estar num bloco de carnaval superlotado de Olinda. Digo, para as crianças.
Pois bem, o que é bom dura pouco. A Sé lotou, o ringue quebrou, a cerveja esquentou e a brincadeira acabou pra mim. Começamos a peregrinar em direção ao táxi mais próximo. Eu, na intenção de apenas escoltar a família em segurança para poder voltar sozinho ao bloco. O que eu não contava era com a dominação de última hora, que me obrigaria a entrar no táxi para dar adeus ao Mucha Lucha para sempre, até o próximo carnaval. Mas antes dessa ardilosa atitude de força da minha esposa, espelhada na máxima de que "quem ama, cuida", ainda tivemos que passar o maior sufoco para chegar até o táxi.
Tentamos seguir à margem do bloco carnavalesco, pelas beiradas, driblando obstáculos nos aclives e declives dos paralelepípedos de Olinda. Em certo momento, ao lado do terreiro de Pai Edu, teríamos que pular um pedaço de muralha para cortar caminho. O ideal seria agir como qualquer gordo que tem exata noção da realidade: sentar no muro, passar as pernocas roliças para o outro lado, virar o corpo com as duas mãos e descer suavemente ralando a barriga na parede.
Mas, infelizmente, eu estava de legging, com escudo de Campeão do Mundo, joelheira e máscara. Aquela situação exigia que eu agisse como "artista" no bloco dos super-heróis. Inventei de dar um pulo "de mala" (pessoa à margem da sociedade, em pernambuquês), daqueles que o atleta dá apenas um rápido apoio moral com uma só mão, e passa logo as duas pernas por cima do muro. "CLAC!", disse a minha mão para o meu sistema nervoso central, enquanto era destruída sob o peso dos meus 125 kg. A dor foi tão forte que lacrimejei até o táxi, por causa do calor do carnaval de Olinda.
E assim, não mais bebi, não mais lutei e por duas semanas também não mais atualizei este blog nem peguei objetos simples como chaves, copos, canetas e talheres. Meu dedão ainda não dobra.




1 comentários:
É como eu vi uma vez em vídeos com acidentes com gordos, "Porque o gordo insiste em fazer gordisse?". Saudades de ler seu blog Mandra. Abraços.
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