"Oba, vovô voltou da Itália!!!!"
Vinte dias passam voando quando a gente está se divertindo. Fato.
O sogrão italiano chegou semana passada, na calada da noite, sem fazer alarde, trazendo três pesadas malas com aquele lacre de filme plástico para evitar a violação pelos aeroportuários. Eu já estava deitado mas ajudei a tirar a bagagem do elevador. Pesadíssima, por sinal. O velho disse que estava cansado porque havia passado quase um dia inteiro pelos ares, e recolheu-se apressadamente para os seus aposentos - levando consigo as três malas lacradas, claro.
No dia seguinte, a criançada foi direto para o quarto dele fazendo aquela festa de boas-vindas, num misto de saudade do avô e interesse nas possíveis lembrancinhas que o nonno certamente teria trazido. Erradamente, corrigindo a sentença anterior. Os três contêineres de muambas importadas foram completamente esvaziados durante a madrugada, direto para o guarda-roupa de Nárnia. Para os meninos, uma singela unidade individual no singular de chocolate recheado com uma dose de café forte meio amargo (ideal para um adulto saborear) e uma nota de R$ 50,00 para cada um. Isso mesmo, reais. Made in Brazil.
Pelo menos ganhei uma caneta-tinteiro com embalagem violada, faltando uma carga (onde era para existir duas). "Marco, se precisar de carga, me pede que eu tenho", ele disse camaradamente. De onde posso concluir que eu sou "considerado".
Aos poucos, alguns itens foram aparecendo, meio que em comodato (de propriedade dele, mas para uso coletivo mediante autorização), como a super cafeteira especial de 60 euros. E assim, toda manhã, ele usa o pó de café peba (de qualidade inferior e nacionalidade brasileira) para fazer o nosso café, depois pega um pó de café italiano, dos fundos das gavetas de Nárnia, para preparar seu próprio desjejum. Já sabemos da existência de uma outra cafeteira, exclusiva para capuccino, mas ainda não-inaugurada.
Esperei pacientemente a primeira ida dele ao clube e chamei minha cara-metade como cúmplice para dar um baculejo no guarda-roupa de Nárnia. Licor de limão exótico, Johnnie Walker Green, vinho, grappa, temperos, toblerones embrulhados para presente como forma de despistar curiosos, três caixas de chocolate com recheio de café (contendo, cada uma, 30 unidades, no mínimo), sementes torradas de abóbora, drops de ervas (UÊPA!!!) etc e tals. Rapaz, tem uma loja de conveniência inteira dentro daquele guarda-roupa.
Naquela madrugada, de porta aberta, flagrei com um só olho o sogrão bebendo uma lapada do meu vinho do Porto que ganhei no natal e que até hoje não tinha sequer degustado por pura falta de oportunidade. Esperei o gatuno voltar para os seus aposentos e levantei para conferir o estrago na MINHA garrafa. Só restam dois dedos!!!!! todo dia "é o golinho sagrado pra dormir" do benedetto.
:: Minha vingança virá em breve, também em doses moderadas. Mhuahahahaha.




6 comentários:
Poxa, J. Walker green foi o único uísque que eu provei e gostei, até hoje. O bicho é bom mesmo e merece protagonizar uma vingança... kkkkk
vc é foda markovsky.. muito escroto o texto.. kkkkk
Chiclete com Banana,
Dr. Marcus Andrey,
Solicito um espaço para escrever, já que dificilmente terei acesso ao uísque green que o senhor usurpará do seu gentilíssimo sogro italiano
O que vc está esperando pra fazer o estrago no guarda-roupa inteiro???
Gostei do Blog !!!
Alexandre
http://acertodecontas.blog.br/
Rapaz, muito bom esse blog! Voltarei com certeza! Sucesso!
Tá certo que a coisa(!)aqui está bem espaçada...mas que murrinha do caray é essa?
E agora, tedboymarinho, quebrou os dois braços?
Ihhh...
Esse ano não deu prá ir ver o Enquanto....minha costela não quis ir - e nem deixou.
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