Teste de paciência: configurar roteador
Todo aprendiz de nerd que se preza dispensa a visita de um técnico de informática, sobretudo quando o suporte é cobrado por evento presencial. A satisfação de poder resolver, sozinho, qualquer problema de ordem tecnológica vai além da mera avareza e pãodurice judaica: toca no orgulho, restaura o amor-próprio, alivia o peito e acalma a tosse.
Lembro como se fosse hoje o dia que formatei meu primeiro winchester (!), de apenas 200 Mb, depois de um vírus que pode ter vindo junto com a foto do tiro de espingarda que estourou a cabeça de Court Cobain, lá no passado tão tão distante de 1994. Ou pode ter sido um virus do mIRC, o tataravô do MSN, mas agora já não importa. Só sei que meu dinossaurinho PC 386 DX 40 Mhz ficou biruta e me obrigou a partir para a última instância do desespero: a formatação do disco rígido. Procedimento que me levou a horas de entretenimento até conseguir deixar a máquina "virgin again".
Foquei minha atenção em muitos outros desafios do tipo nos 17 anos que se seguiram, geralmente envolvendo instalações de aplicativos e periféricos. Mas nenhum me deu tanta dor de cabeça quanto a configuração de um maledetto roteador. Aliás, dois, em episódio recentíssimo que tirou meu sono durante três madrugadas seguidas neste maio de 2011.
Tudo começou porque eu quis turbinar a conexão de internet lá de casa mas comprei um Access Point pensando que era um roteador, fascinado pelas três antenas e a potência de 300 bps do bichinho. Assimilei o vacilo, já que não dava mais para trocar, e resolvi então configurá-lo como "repetidor do sinal" do outro roteador velho de guerra (que cumpre perfeitamente o seu papel quando os dispositivos - computadores, celulares, iPad - estão perto dele. Ou seja, com o repetidor turbinado, o sinal satisfatório preencheria o apartamento e todos seríamos felizes para frente... e também para os lados.
O problema é que o técnico que instalou a conexão de internet lá de casa (a primeira vez sempre é de graça, incluída no preço da contratação do provedor) atualizou o firmware do roteador pelo de outra marca, e sempre que eu configurava o novo produto, o outro entrava em curto causando incompatibilidade de gênios. Tentei exaustivamente durante três madrugadas seguidas, com a ajuda sempre instigante do meu Transtorno Obsessivo Compulsivo, para desespero do meu sogro - que não se sentia à vontade para dividir o quarto do computador comigo (para poder ver seus filmes x-rated sossegado).
Mas ontem eu finalmente consegui. Fui pra cama às 3h45 mas valeu a pena. A sensação do dever cumprido, da tarefa realizada e do desafio vencido realmente me excitou. Aí eu tomei um banho gelado "levanta-defunto" no meu maxi-bigger-chuveirão e dormi profundamente até às 7h (não antes de navegar mais meia horinha pra testar se a internet tinha ficado boa mesmo).
:: Ah, já que decorei permanentemente a sequência numérica "192.168.1.1." vou ver se desdobro-a em dezenas para jogar na megasena.




1 comentários:
Poderia ter me chamado, iria poupar horas de sono.
NerdMaster
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