Meu juízo estava na vesícula

É quando se está cagando que a gente pensa na vida. Bem, comigo é assim. Naquela acústica de caverna, no pequenino lapso diário de tempo que tenho para comigo mesmo, é que me pergunto como foi meu dia - ou como começará (depende do cardápio da véspera, que tem total relação com a "hora da reflexão") - e tomo minhas decisões sem a influência do filtro nupcial, do filtro infantil, ou do social.
Faço merda diariamente e posso dizer que... Se sorri ou se chorei, o importante é que... errei. Mas tentei fazer meu melhor. Portanto, como disse o psicopata, "se eu sou falho, a culpa é dos meus pais". Mhuahahaha.
Em cerca de dez minutos, naquele meu instante, consigo raciocinar melhor sobre coisas que, no seu devido momento, passaram despercebidas pela minha ingenuidade ou desatenção.
Como, por exemplo, se foi uma ameaça de morte quando o picareta que contratei 'de boca' para um serviço no condomínio - e, não tendo sido concluído depois de 6 meses de visitas esporádicas e gambiarras absurdas, além de uma fortíssima suspeita de furto de um equipamento de internet coletiva (pode ser a gota d'águaaa), foi mandado embora - e disse: "vou receber por outros meios".
Demorou pra cobrar e quando cobrou, apresentou uma lista surreal de material supostamente gasto, que daria para instalar interfones nas duas torres do World Trade Center. Cerca de R$ 2.400,00 por um rolo de fio de terceira qualidade (que é o único material que conseguimos enxergar na "grande obra"). O telefonema-cobrança-ameaça aconteceu semana passada. Não me abalei. Mas, no dia seguinte, lá estava eu diante do trono a pensar nas palavras exatas "outros meios".
Por isso que fiz amor com minha mulher três noites seguidas, num tesão mezzo despedida, mezzo gratidão, com borda de nervosismo. Ah, e também pra mostrar quem é que manda nesta porrrrrra. Sem a vesícula para canalizar meu emocional, tampouco a Academia Rái Soçáite (ainda me recuperando no pós-cirúrgico), só nos resta mesmo amar-nos uns aos outros.
Dirigir paranóico, de olho em motoqueiros, não alterou muito a minha rotina automobilística, pois graças ao conforto refrigerado e com película do meu Honda Civic 1999 (que estou vendendo barato por R$ 14.500), e o background de músicas carregadas de fé (como "Jesus Cristo, eu estou aqui", do Rei Roberto), tive uma semana tecnicamente normal.
Mas o subconsciente acaba influenciado, não dá pra negar. No trabalho, ontem me aborreci com uma cobrança boba do meu chefe imediato, que, numa ânsia quase Winehouse, insiste em fiscalizar justamente a seção "Agenda" do nosso site institucional, e pega no meu pé quando aparece uma demanda de ultima hora e a tal agenda não é atualizada em tempo real.
Welcome to the Jungle: Uma pauta cai do céu e pede providência midiática pra ontem (isso é super comum em assessoria, a gente ser o corno da história - o ultimo a saber. Às vezes a gente fica sabendo que a instituicao está promovendo algo quando aparece o cartaz todo prontinho, chamando para o dia seguinte) e vamo simbora fazer release, pautar fotógrafo, escrever a pauta num formulário para o chefe acompanhar, checar os subsídios e apurar mais informações, providenciar carro para o repórter (quando, não raro o repórter sou eu, e vou no meu Honda de R$ 14,5 mil), publicar no site, fazer contato com a imprensa externa e TER QUE LEMBRAR DA MALDITA AGENDA. Porque não importa se a gente ficou sabendo do evento em cima da hora, "o internauta atento não pode ser penalizado" (essa frase é minha mesmo).
E assim, liguei o foda-se no mode ON, discuti com meu chefe por escrito (ele fez a critica por e-mail, bem ao estilo "de cima pra baixo"), respondi dando uma aula de jornalismo profissional com diploma e no dia seguinte meu "adicional de substituição de chefia" estava cortado. Sorrateiramente. Eu soube pela secretária, que enviou o memorando para o presidente autorizar. Antes eu tivesse morrido como um mártir. Não teria mais uma desilusão com o jornalismo, nem com outro coleguinha.
:: Nota do autor: na primeira linha é facultativo ao leitor substituir o gerúndio por BLOGANDO. E se eu voar, que não seja pelos ares (dolorosamente numa explosão 'sabotage')
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1 comentários:
Inferno astral fora de época.
Agora, com o "adicional de substituição de chefia" cortado sorrateiramente, o jeito vai ser vender o Honda de 14,5 mil).
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