Caro pra comprar, barato pra vender
O saudoso Vovô Ary tinha uma frase perfeita para definir como funcionam as leis de mercado, traduzindo do economês: "Mulher e emprego só aparecem quando você já tem". E, agora, vejo que isso vale também para outras situações. É a velha lei da oferta e da procura, pela ótica e experiência do velho jornalista de origem popular.
Estou há exatos 60 dias tentando vender meu atual MandraMóvel e, apesar de ser um carro bom e com fama de inquebrável (Honda Civic 6ª geração), com preço atraente (R$ 14,5 mil), baixa quilometragem e grande oferta de acessórios para tunning (vide eBay -> 76,699 results found for honda civic 1999) graças ao filme "Velozes e Furiosos", ainda não apareceu um cristão, budista, muçulmano, hindú, catimbozeiro para ficar com o carango.
Aliás, apareceram vários. Onze pretendentes, todos salvos no meu celular com o prefixo "Int Honda (interessado no Honda) + a característica do cidadão. Todos lisos (desprovidos de dinheiro, mas com grandes sonhos), ora dependendo da venda de seus próprios cururus (carros velhos, em pernambuquês) - como um Celta 2001, um Palio 2003, um Gol Bola, um Marea 2002 - ou de outros bens, como uma casa velha.
E assim, o primeiro a demonstrar interesse foi um afro-brasileiro que viu a plaquinha de "Vende-se" no carro estacionado na Padaria Massa Nobre (Torre). Disse que ficou doido pelo Honda, que era um sonho de infância, e ia botar logo "uma máscara negra e película espelhada nos vidros", para deixá-lo com a sua cara. Mas tinha que vender um Celta básico 2001 para conseguir o restante do dinheiro.
Outra vez foi uma psicóloga de meia idade. Viu o carro, fez o test-drive porque nunca conhecera câmbio automático e, num blefe à queima-roupa, quis pagar R$ 14 mil alegando que "amanhã o dinheiro está na conta". Argumentei que o carro já estava com preço promocional, mas se ela quisesse recebê-lo sem as rodas esportivas fuderosas (mais que poderosas, em pernambuquês), eu entregaria ele com as rodas e calotas originais de fábrica, concedendo o desconto de R$ 500 que ela pleiteara. Mas era apenas uma tática de pressão psicológica, da parte dela, somente para exercitar sua profissão. O test-drive foi feito numa quarta-feira. No dia seguinte, alegou estar num treinamento. Na sexta, disse que não poderia sair do trabalho antes das 20h, mas quis marcar no dia seguinte para levar o carro ao Detran para uma vistoria. No sábado, telefonei pela manhã e a bendita tinha viajado.
Teve ainda o motorista do TRF, o vigilante do colégio, o caminhoneiro, o conversador, o curioso, o gay para exportação (morou muito tempo em Londres e só aprendeu a dirigir carro com câmbio automático, mas o "primo" dele sugeriu comprar um Gol e ele ainda está em dúvida), o genro do verdureiro, o cara do Palio, o PM da Secretaria de Educação e um lavador de carros da Rua da Aurora.
Ah, o motivo da venda? falta de espaço! com a cadeirinha de bebê no meio do banco traseiro, meus outros dois filhos ficam espremidos nas laterais enquanto as três mochilas de material escolar ocupam o banco da frente. Estou pensando seriamente em pegar um Renault Scènic - que tem três bancos individuais atrás.
:: Quando eu vender, aposto que meu telefone não vai parar de tocar. Mas aí eu vou dizer que vendi por R$ 10 mil, só pra deixar os pretendentes com aquela frustração de "porque demorei tanto". Mhuahahahahaha



2 comentários:
porra, esse blog ta mais abandonado que filho de rapariga em dia dos pais...atualiza ai gordines
Ah, vendi o carro!
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